O prometido...


Desculpem… tenho estado ausente da escrita… mas nunca da leitura…
Há alguns meses atrás prometi falar sobre os livros do Mia Couto: Contos do Nascer da Terra e Estórias Abensonhadas. Hoje, o prometido é devido…
E como já falei aqui no autor, despeço-me (com a promessa de voltar em breve) com um conto que a maioria dos governantes deste mundo deveriam ler…

«A guerra dos palhaços», in Estórias Abensonhadas

«Uma vez dois palhaços se puseram a discutir. As pessoas paravam, divertidas, a vê-los.
- É o quê?, perguntavam.
- Ora, são apenas dois palhaços discutindo.
Quem os podia levar a sério? Ridículos, os dois cómicos ripostavam. Os argumentos eram simples disparates, o tema era uma ninharice. E passou-se um dia inteiro.
Na manhã seguinte, os dois permaneciam, excessivos e excedendo-se. Parecia que, entre eles, se azedava a mandioca. Na via pública, no entanto, os presentes se alegravam com a mascarada. Os bobos foram agravando os insultos, em afiadas e afinadas maldades. Acreditando tratar-se de um espectáculo, os transeuntes deixavam moedinhas no passeio.

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Publicado por Mafalda em janeiro 08, 2005 às 07:49 PM
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A Varanda do Frangipani, Mia Couto


Eu não sou grande adepta da poesia. Prefiro romances, crónicas, contos... mas para mim, o Mia Couto é um poeta, e os seus romances estão inundados de poesia.
“Conheci-o” quando a minha irmã soube que ia para Moçambique. Lemos o Terra Sonâmbula e apaixonámo-nos pela sua escrita. Também li o Vinte e Zinco e O Último Voo do Flamingo.
Gosto especialmente das palavras que ele reinventa, descrevendo uma série de sentimentos ou sensações numa só palavra, que me era desconhecida até então, e que julgo não vir sequer no dicionário.

Agora li A Varanda do Frangipani, e mais uma vez fiquei rendida ao poeta que conta a história de uns velhos abandonados por tudo e por todos, num país abandonado à sua sorte, onde a lei do mais esperto é a que impera.

Não deixem de o descobrir... e aqui fica um pouco de “poesia”:

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Publicado por Mafalda em janeiro 30, 2004 às 04:02 PM
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Estórias que fazem a História


João Ubaldo Ribeiro no livro Viva o Povo Brasileiro, fala-nos de personagens que lutaram e que construíram o Brasil.
Conta-nos as suas vidas, os seus feitos, as suas mudanças.
Eu gosto particularmente de livros com finais definidos, em que conhecemos o fim da vida dos personagens e não o fim de apenas um ciclo com a fatídica frase “E viveram felizes para sempre…” (até pela ridicularidade e impossibilidade dessa frase).
No Viva o Povo Brasileiro, descobrimos as pessoas “simples” como “heróis” e aprendemos com as suas estórias, como esta:

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Publicado por Mafalda em outubro 10, 2003 às 04:26 PM
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A Condição Humana de André Malraux


Ainda no rescaldo do 11 de Setembro...

Não podia deixar de falar neste livro uma vez que o li na altura do 11 de Setembro. Desde aí penso constantemente nele. Basta ligar a televisão e ouvir que mais um palestiniano se fez explodir num autocarro, e já está a minha cabeça a fazer associações ao Kyo, Katow e Tchen (personagens deste livro).
Portanto, apesar do livro já ser velhinho (foi publicado em 1933) encontra-se cada vez mais actual.
Há personagens muito distintas por isso os temas abordados por cada um são também eles variados (amor, homens vs mulheres, vaidade, cobardia, inteligência, solidão, sofrimento, ideais...) mas une-os o medo e a morte (e o medo da morte). E une-os também a pergunta fatídica: qual o sentido da vida? Respostas... pois, cada um vai encontrando as suas...
Como estamos na data em que estamos, deixo-vos duas pequenas passagens que possam deixar-vos curiosos, mas o livro é muito, muito mais que isto e quanto a mim vale toda a pena.

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Publicado por Mafalda em setembro 13, 2003 às 04:22 PM
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