A Como és Boa


«Eu não quero um bebé.
O Hugo está preparado. Tem mulher, emprego, casa, carro. Falta qualquer coisa. Pensa que é um bebé. Não tem lá muita imaginação.

A verdade é que nós não comunicamos, por isso eu não posso de facto dizer-lhe que não quero um bebé. Nós falamos, claro, falamos naquela estranha linguagem que desenvolvemos com o propósito de evitar a comunicação. Criámos essa não-linguagem. Talvez seja um sinal de que a civilização está a regredir. De qualquer maneira, qualquer coisa está. Qualquer coisa está.

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Publicado por Tiago P. em abril 22, 2005 às 11:53 AM
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Ri-te das suas negas


«Quando o peso morto da impotência cai sobre o seu centro de gravidade, o homem arrepende-se de ter chegado à cama, e desejaria apagar as promessas, os beijos, as primeiras carícias, a impaciência, a certidão de nascimento. Queria tornar-se invisível. Mas, precisa de se justificar:

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Publicado por Tiago P. em abril 08, 2005 às 11:21 AM
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Na Casa de Banho


«Preparou-lhe o banho com todo o carinho do mundo: a temperatura exacta da água, a espuma precisa, os sais adequados. Como ele gostava. E trocou as toalhas por outras verdes, a condizer com os azulejos da parede. Pôs em cima da banqueta o roupão mais delicado e ajudou-o a meter-se na banheira.

Esfregou-lhe as costas, passou-lhe a esponja pelos genitais, deixou beijos delicadíssimos na humidade dos seus ombros.

Sorriu com doçura depois de tirar o tampão da banheira e viu como a água o arrastava pelo cano abaixo.

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Publicado por Tiago P. em abril 08, 2005 às 11:19 AM
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A nona porta do teu corpo


O livro é muito bom por variadíssimas outras razões, mas esta dissertação é memorável:

«(...) Vincent olha para Julie e, de súbito, ei-lo enfeitiçado: a luz branca conferiu à rapariga a beleza de uma fada, uma beleza que o surpreende, beleza nova que de início ele não vira nela, beleza fina, frágil, casta, inacessível. E, de repente, sem saber sequer como foi que a coisa aconteceu, põe-se a imaginar-lhe o olho do cu. Bruscamente, inopinadamente, a imagem ali está e ele já não pode afastá-la de novo.

(...) Vincent enlaça Julie, beija-a, apalpa-lhe os seios, contempla a sua delicada beleza de fada e, entretanto, sem parar, imagina-lhe o olho do cu. Está com uma vontade imensa de lhe dizer: «Estou a fazer-te festas nos seios mas só penso no teu olho do cu.» Mas não consegue, a frase não lhe sai da boca para fora. Quanto mais pensa no olho do cu dela, mais Julie se torna branca, transparente e angélica, de tal maneira que se transforma numa impossibilidade proferir semelhantes palavras em voz alta.

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Publicado por Tiago P. em março 08, 2005 às 10:02 AM
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O prometido...


Desculpem… tenho estado ausente da escrita… mas nunca da leitura…
Há alguns meses atrás prometi falar sobre os livros do Mia Couto: Contos do Nascer da Terra e Estórias Abensonhadas. Hoje, o prometido é devido…
E como já falei aqui no autor, despeço-me (com a promessa de voltar em breve) com um conto que a maioria dos governantes deste mundo deveriam ler…

«A guerra dos palhaços», in Estórias Abensonhadas

«Uma vez dois palhaços se puseram a discutir. As pessoas paravam, divertidas, a vê-los.
- É o quê?, perguntavam.
- Ora, são apenas dois palhaços discutindo.
Quem os podia levar a sério? Ridículos, os dois cómicos ripostavam. Os argumentos eram simples disparates, o tema era uma ninharice. E passou-se um dia inteiro.
Na manhã seguinte, os dois permaneciam, excessivos e excedendo-se. Parecia que, entre eles, se azedava a mandioca. Na via pública, no entanto, os presentes se alegravam com a mascarada. Os bobos foram agravando os insultos, em afiadas e afinadas maldades. Acreditando tratar-se de um espectáculo, os transeuntes deixavam moedinhas no passeio.

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Publicado por Mafalda em janeiro 08, 2005 às 07:49 PM
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Contos Apátridas


"(...) As luzes do avião começaram a diminuir até desaparecerem, imediatamente seguidas da projecção de Sabrina, com Harrison Ford, a meio da noite. Acendi então a luz-piloto para continuar a ler uma antiga edição de Criticón de Baltasar Gracián, que o papá me tinha oferecido pelos anos há uns tempos atrás. Lia ao mesmo tempo que olhava os pontos luminosos lá em baixo na escuridão, talvez barcos onde se passavam cenas memoráveis, elegantes dramas de heroísmo e dor que para mim eram apenas isso:uma diminuta estrela brilhante no meio do escuro da noite. Mas o destino veio ao meu encontro de maneira abrupta quando o indicador de voo mostrou a silhueta do avião sobre o oceano Índico: primeiro surgiu uma pequena zona de turbulências, como disse o piloto pelo altifalante, e logo a seguir um verdadeiro furacão. Os poços de ar pareciam saltos no ventre de uma baleia e o avião deu estrondos que acabaram por acordar todos os passageiros. Uma das jovens hospedeiras, empurrada pela intensa vaga de ar, acabou por se sentar ao meu lado na coxia traseira do avião. Vestia o uniforme da Singapore Airlines, ou seja, saia azul e camisa branca, mas devia ser um dos seus primeiros voos porque a situação encheu-a de pânico.

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Publicado por Tiago P. em maio 27, 2004 às 12:20 AM
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O Velho que lia Romances de Amor


" O administrador da circunscrição, único funcionário, máxima autoridade e representante de um poder demasiadamente longínquo para infundir receio, era um indivíduo obeso que suava sem descanso.
Diziam os habitantes do lugar que a suadeira dele começara logo que pusera pé em terra depois de desembarcar do Sucre, e que desde então não deixara de espremer lenços, ganhando assim a alcunha de Babosa.

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Publicado por Tiago P. em abril 13, 2004 às 12:18 AM
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“Oh, as crianças!...” de Bill Cosby (Título original: “Childhood”)


Porque será que temos cómicos que, como diz a minha irmã, “são mais fofos que o Pai Natal?” E porque será que só nos deparamos com pessoas assim na profissão de humoristas?
Na Categoria “MFQOPN” (mais fofos que o Pai Natal) apresento sempre 3 Senhores do mundo do espectáculo, cada qual com a sua dimensão e humor específico:
1 – Jô Soares;
2 – Raul Solnado;
3 – Bill Cosby.

Bill Cosby é, sem qualquer espécie de dúvida, um dos cómicos Norte Americanos mais respeitados, não só pelo público, como pelos seus pares. Foi um dos primeiros negros a singrar na televisão e no showbizz yanky e, de acordo com Jerry Seinfeld, o 1º crescido que ele viu a usar sapatos de ténis na TV.

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Publicado por BBF em março 18, 2004 às 06:00 PM
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The Complete Yes Minister


Mais que um livro baseado numa série televisiva de humor britânico de extrema qualidade, este “Yes Minister” é um tratado de Política e Politiquice.
Supostamente baseado no diário pessoal do ministro James Hacker este livro põe a nu toda a “verdade” sobre a política, governo e caciquismo da Grã-Btretanha nos anos 80.

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Publicado por BBF em março 17, 2004 às 05:38 PM
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Pitigrilli e "A Decadência do paradoxo"


“O paradoxo é o contraste violento entre o que nos diz o raciocínio vulgar e o nosso raciocínio pessoal; (...)
É a ilícita concorrência que a galantaria do pensamento faz à sã, honesta e tranquila verdade.
Quanto mais violento é o choque entre os dois conceitos, tanto maior é o paradoxo.”

Emprestaram-me este livro há já alguns meses, mas a fragilidade da edição (um autêntico “pergaminho” da Editorial Minerva impresso em 1947) impediu que o acabasse de ler mais cedo por não poder levá-lo sempre comigo. É uma espécie de ensaio, muito coloquial, sobre a decadência do paradoxo.

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Publicado por Tiago P. em março 04, 2004 às 02:44 PM
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A Varanda do Frangipani, Mia Couto


Eu não sou grande adepta da poesia. Prefiro romances, crónicas, contos... mas para mim, o Mia Couto é um poeta, e os seus romances estão inundados de poesia.
“Conheci-o” quando a minha irmã soube que ia para Moçambique. Lemos o Terra Sonâmbula e apaixonámo-nos pela sua escrita. Também li o Vinte e Zinco e O Último Voo do Flamingo.
Gosto especialmente das palavras que ele reinventa, descrevendo uma série de sentimentos ou sensações numa só palavra, que me era desconhecida até então, e que julgo não vir sequer no dicionário.

Agora li A Varanda do Frangipani, e mais uma vez fiquei rendida ao poeta que conta a história de uns velhos abandonados por tudo e por todos, num país abandonado à sua sorte, onde a lei do mais esperto é a que impera.

Não deixem de o descobrir... e aqui fica um pouco de “poesia”:

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Publicado por Mafalda em janeiro 30, 2004 às 04:02 PM
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Animal Tropical


"Umas noites depois houve uma festa para todos os participantes no seminário. Excepto eu, eram todos professores universitários e não dançavam. Gente a sério, quero dizer. Só falavam e falavam. Eu tinha visto a africana a falar com o marido ao telefone. Parece que era um alto oficial do exército no seu país. Ela dizia o tempo todo: «Oh, honey, I love you.» Depois mostrou-me uma fotografia dos seus três filhos e do militar com o seu uniforme e ela muito bonita no seu vestido típico e tudo isso.

Fosse como fosse, nessa noite bebeu demasiado vinho. Bebemos um pouco a mais e a certa altura aproximou-se de mim, com o sorriso mais doce do mundo, e convidou-me a dançar. Mas não queria dançar. Apertava-me contra ela e acariciava-me as costas e dizia-me ao ouvido: «Ohh, very nice, very nice. Ohh, really, very nice.» As minhas costas são muito sensíveis. Pus as minhas mãos no seu enorme e belíssimo cu africano e passados cinco minutos chegámos ao meu quarto no piso superior.

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Publicado por Alexandre em dezembro 29, 2003 às 06:02 PM
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O Oráculo de Jamais


"Ora! O mimo estraga os putos, essa é que é essa.
Não se deve dar mimo aos putos; nem aos putos nem aos cães. Aguardente e lambadas é que devia ser, para os putos aprenderem bem cedo a saber o que é a verdadeira vida. A minha mulher estraga os meus putos com mimo, está a fazer deles uns larilas, uns frangos de aviário. Leitinho, rebuçadinhos, fortificantezinhos, agasalhozinhos... O resultado vê-se...
Então, o Ruca... Basta uma aragem de nada e desata logo a tossir, cheio de febre. Deviam aprender todos com este desgraçado, especialmente o Ruca, que está um mimalho de fazer nojo.
Mal chegue a Lisboa hei-de puxar as orelhas ao Ruca. E quando ele ganir, com aquela voz enjoada de larila, a pedir-me dinheiro para pastilha elástica, mando-lhe uma lambada que vai de focinho ao tapete... ai mando, essa é que é essa! E se a senhora minha esposa fizer o favor de refilar, como é costume, eu só lhe pergunto: Queres murro ou lambada, minha flor?"

Altino do Tojal, O Oráculo de Jamais.

Um livro fantástico, que li quando tinha uns 12 anos e que quis sempre voltar a reler. Infelizmente, até há bem pouco tempo confundia o titulo com O que diz Molero, vá-se lá a saber porquê..


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Publicado por Alexandre em outubro 24, 2003 às 05:00 PM
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O escafandro e a borboleta


Jean-Dominique Bauby, nascido em 1952, pai de dois filhos, era redactor-chefe da revista francesa Elle quando foi vítima de um locked-in syndrome, uma doença rara, que o deixou lúcido intelectualmente, mas paralisado por completo, só podendo respirar e comer por meios artificiais e mover o olho esquerdo.

Com este olho piscava uma vez para dizer sim e duas vezes para dizer não. Com ele chamava também a atenção do seu visitante para as letras do alfabeto, formando palavras, frases, páginas inteiras. Assim escreveu este livro: todas as manhãs, durante semanas, decorou as suas páginas antes de ditá-las, depois de as ter corrigido mentalmente durante a noite.

"Por trás da cortina de pano roída pelas traças, uma claridade leitosa anuncia a aproximação da manhã. Doem-me os calcanhares, sinto a cabeça apertada num torno, e todo o meu corpo está encerrado numa espécie de escafandro. O meu quarto sai lentamente da penumbra. Observo pormenorizadamente as fotografias dos meus queridos, os desenhos das crianças, os cartazes, um pequeno ciclista de folha enviado por um camarada na véspera do Paris-Roubaix, e o cavalete que sustenta a cama onde estou incrustado há seis meses como um bernardo-eremita sobre o seu rochedo.

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Publicado por Alexandre em outubro 24, 2003 às 04:57 PM
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Estórias que fazem a História


João Ubaldo Ribeiro no livro Viva o Povo Brasileiro, fala-nos de personagens que lutaram e que construíram o Brasil.
Conta-nos as suas vidas, os seus feitos, as suas mudanças.
Eu gosto particularmente de livros com finais definidos, em que conhecemos o fim da vida dos personagens e não o fim de apenas um ciclo com a fatídica frase “E viveram felizes para sempre…” (até pela ridicularidade e impossibilidade dessa frase).
No Viva o Povo Brasileiro, descobrimos as pessoas “simples” como “heróis” e aprendemos com as suas estórias, como esta:

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Publicado por Mafalda em outubro 10, 2003 às 04:26 PM
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O Homem Sem Qualidades, Robert Musil


Na verdade, este é (de certa forma) um post por antecipação.

Decorre no Mercado da Ribeira a festa do livro até dia 15 deste mês. Passei por lá hoje e, apesar de ter começado só ontem, grande parte dos melhores títulos já tinha sido alvo de muita escolha.

Mas voltando um pouco atrás, no dia mundial do livro, vi o Eduardo Prado Coelho na SIC notícias a falar sobre a selecção de livros que lhe tinham "encomendado". Trouxe apenas títulos de autores portugueses e fez um resumo breve dos pontos altos de cada um.

No final da rubrica, depois de se ter falado de outros livros e do "estado do livro" em Portugal, o jornalista pediu-lhe que elegesse "O" livro da sua vida. EPC hesitou, mas perante a insistência do pivot acabou por dizer: "talvez O Homem Sem Qualidades do Musil".

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Publicado por Tiago P. em outubro 05, 2003 às 03:04 PM
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A Condição Humana de André Malraux


Ainda no rescaldo do 11 de Setembro...

Não podia deixar de falar neste livro uma vez que o li na altura do 11 de Setembro. Desde aí penso constantemente nele. Basta ligar a televisão e ouvir que mais um palestiniano se fez explodir num autocarro, e já está a minha cabeça a fazer associações ao Kyo, Katow e Tchen (personagens deste livro).
Portanto, apesar do livro já ser velhinho (foi publicado em 1933) encontra-se cada vez mais actual.
Há personagens muito distintas por isso os temas abordados por cada um são também eles variados (amor, homens vs mulheres, vaidade, cobardia, inteligência, solidão, sofrimento, ideais...) mas une-os o medo e a morte (e o medo da morte). E une-os também a pergunta fatídica: qual o sentido da vida? Respostas... pois, cada um vai encontrando as suas...
Como estamos na data em que estamos, deixo-vos duas pequenas passagens que possam deixar-vos curiosos, mas o livro é muito, muito mais que isto e quanto a mim vale toda a pena.

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Publicado por Mafalda em setembro 13, 2003 às 04:22 PM
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A propósito dos 2 anos passados sobre o 11 de Setembro...


Falo-vos de um livro que, tratando das cruzadas e desses tempos idos, apresenta-se extremamente actual.
Não se pode dizer que "As Cruzadas Vistas Pelos Árabes" de Amin Maalouf seja um romance histórico, uma vez que a parte de romance é parca ou mesmo inexistente.
Vale, essencialmente como uma lição de história. Só que, e este é o grande trunfo do livro, vista pelo lado dos árabes. Não sendo nenhum expert em história (ou em literatura para o efeito), posso afirmar tratar-se de um livro isento e fidedigno, pelo que aconselho vivamente.
Poderemos identificar a génese desta divisão pragmática, que continuamos a viver, entre mundo árabe e mundo ocidental e "desculpar" umas quantas coisitas aos nosso vizinhos muçulmanos.

Não sendo um livro puramente académico trata-se de uma leitura um pouco cansativa / pesada, uma vez que não nos poupa com ritmos estudados ou momentos de "leveza literária".
Quanto a adornos desta "critica"... não deixo passagens nem excertos, uma vez que já li o livro em 1999 / 2000 (creio eu).

Deixo no entanto o link para uma critica online, bem como para a webboom.
Espero que apreciem a obra. Vale muito a pena.


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Publicado por BBF em setembro 12, 2003 às 04:48 PM
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Morte aos Feios


Morte aos FeiosAcabei anteontem o "Morte aos Feios" de Boris Vian, escrito sob o pseudónimo Vernon Sullivan.

Há alguns anos li o primeiro livro (e então o único editado em português) de Vernon Sullivan, "Irei Cuspir-Vos nos Túmulos", e achei-o genial. Com um estilo de policial negro americano, um humor hilariante e um rigoroso sadismo narrativo, a pequena edição de bolso da Europa-América mal me deixou respirar entre capítulos e, numa tarde, tinha-o lido por inteiro.

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Publicado por Tiago P. em setembro 03, 2003 às 02:59 PM
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A vida Feliz do Jovem Esteban


A vida Feliz do Jovem EstebanLi Santiago Gamboa pela primeira vez através de Luís Spúlveda, um autor de quem gosto particularmente.

Encontrei na feira do Livro de há uns anos atrás um livro chamado Contos Apátridas em que ambos participam e o conto de Gamboa Tragédia do homem que amava nos aeroportos foi uma surpreendente-de-tão-agradável surpresa.

Apressei-me a procurar outros títulos traduzidos deste autor e encontrei Perder é uma Questão de Método, uma grande frase de Spúlveda, que assenta que nem uma luva a um belíssimo romance.

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Publicado por Tiago P. em agosto 24, 2003 às 02:55 PM
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