O Homem Duplicado, José Saramago


É com tristeza que escrevo este post...
Acabei ontem de ler O Homem Duplicado. Andei a arrastá-lo imenso tempo, sem grande pachorra para o acabar, mas ontem lá lhe dei o último empurrão.
Para quem, como eu, que adora Saramago, este livro é uma profunda desilusão... Não há nada de genial e há muito de enfastiante.
Eu não sou sou nenhuma especialista em literatura, nem sequer leio assim tanto como isso. Não quero ferir susceptibilidades, nem dizer mal apenas por dizer, quero apenas contar-vos aquilo que sinto.

Nunca, até agora um livro me tinha desiludido tanto, e por isso me sinto tão “magoada”. Quando nós gostamos muito de um autor e vamos ler um novo livro dele, colocamos sempre a fasquia num determinado nível, e é normal que por vezes sejamos surpreendidos. Talvez eu tenha colocado a fasquia muito alta, mas não foi apenas uma má surpresa que tive.

O Manual de Pintura e Caligrafia e o Levantado do Chão considero fruto das circunstâncias, mas gostei muito. As peças de Teatro A Noite e In Nomine Dei também me cativaram bastante.

Quanto a O Memorial do Convento, O Ano da Morte de Ricardo Reis (meu favorito!), a Jangada de Pedra, a História do Cerco de Lisboa, o Evangelho Segundo Jesus Cristo e O Ensaio sobre a Cegueira são romances que li com entusiasmo e que serão sempre lidos e apreciados em qualquer altura pelo que narram e pela forma como foram escritos. São, quanto a mim, Grandes Livros.
O Todos os Nomes e A Caverna marcam um outro “registo”. São livros mais introspectivos e mais “individualistas”, mas dos quais também gostei muito (mas mais do segundo).

O Homem Duplicado parece-me querer ser um livro no seguimento destes dois últimos, e há “ambientes” familiares com o Todos os Nomes, mas não chega nem de perto nem de longe aos seus calcanhares.
O Homem Duplicado tem um bom tema mas que eu não exploraria nunca desta forma. Depois tem cerca de 200 páginas que, como se diz cá pelo Alentejo, para “encher chouriço”, e termina em poucas páginas com um final que me pareceu absolutamente disparatado.
Bem, já perceberam que me sinto mesmo “defraudada”, por isso vou ficar por aqui. E digo “defraudada” porque não esperava que fosse o Saramago a dar-me uma desilusão destas...

Quem tenha lido o livro faça-me o favor de me dizer do que gostou e porquê, pode ser que assim me passe esta impressão tão má.
Obrigada!


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Publicado por Mafalda em novembro 19, 2003 às 04:29 PM
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