A nona porta do teu corpo

O livro é muito bom por variadíssimas outras razões, mas esta dissertação é memorável:

«(...) Vincent olha para Julie e, de súbito, ei-lo enfeitiçado: a luz branca conferiu à rapariga a beleza de uma fada, uma beleza que o surpreende, beleza nova que de início ele não vira nela, beleza fina, frágil, casta, inacessível. E, de repente, sem saber sequer como foi que a coisa aconteceu, põe-se a imaginar-lhe o olho do cu. Bruscamente, inopinadamente, a imagem ali está e ele já não pode afastá-la de novo.

(...) Vincent enlaça Julie, beija-a, apalpa-lhe os seios, contempla a sua delicada beleza de fada e, entretanto, sem parar, imagina-lhe o olho do cu. Está com uma vontade imensa de lhe dizer: «Estou a fazer-te festas nos seios mas só penso no teu olho do cu.» Mas não consegue, a frase não lhe sai da boca para fora. Quanto mais pensa no olho do cu dela, mais Julie se torna branca, transparente e angélica, de tal maneira que se transforma numa impossibilidade proferir semelhantes palavras em voz alta.

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Publicado por Tiago P. em março 08, 2005 às 10:02 AM
Arquivado em Livros Estrangeiros

Comentários

uma outra forma de ler os livros. gostei do blog.

Afixado por: fernando esteves pinto em março 8, 2005 01:10 PM

Ehehehe, interessante :)

Afixado por: Betty em março 10, 2005 12:20 PM

Li quase todos os livros de Kundera. Adoro-o.

Afixado por: dunya em março 11, 2005 08:01 PM

isto está MAUS mesmo :)
na falta de conseguir colocar html aqui fica o link sem link:
http://www.flickr.com/photos/neil_b/6410942/
link

Afixado por: jorge em março 16, 2005 04:59 AM

também foi a parte que me ficou de toda aquela lentidão... está realmente bem transparente toda aquela sinceridade.

Afixado por: dani em abril 5, 2005 12:11 AM