Muito, meu amor
Sei que me torno chata a repetir autores... mas querem o quê? Desta vez não me deram hipótese!
Ofereceram-me na semana passada o Muito, meu amor do Pedro Paixão, porque sabiam que eu ia gostar com toda a certeza... e assim foi!
E gostei especialmente deste livro porque o Pedro Paixão escreve nele aquilo que eu queria escrever ou dizer a quem mo ofereceu. E é tão somente isto:
“É tão estranho conhecer uma pessoa. Tão difícil que parece impossível. Não existir e passar a existir: uma pessoa inteira, um mundo inteiro. Onde caberá um mundo inteiro neste mundo pequenino? Como é que se consegue? Como é que se faz?”
“Mas gostava que soubesses que já gosto muito de ti, embora ainda não tenha tido tempo de saber o que é isso de gostar muito de ti. Não faz mal, logo se vê. Não, o que me assusta mesmo muito, quase terror por vezes, é depois não poder voltar atrás, tão simplesmente como quem põe uma fita de cinema a rebobinar. Quero dizer, depois de começar a gostar de ti como gosto, já não consigo desfazer isso que se fez, sei lá o quê, o que tu quiseres, isso tudo, o que nos traz juntos até aqui, se tu quiseres.”
“É tão bom sentir o que sinto. Que alguém, e és tu, me quer com o maior cuidado para não se enganar, iludir, mentir a si próprio que não me está a confundir, sem querer, com o que desejava ver, sempre esperou alcançar, sonhou quando era criança num sonho que ficou, quer mostrar aos outros, ao pai em especial, a quem quer que seja, pouco importa. Não, do que tu gostas mais em mim é dos meus pecados, dos meus defeitos físicos, de tudo o que não consigo ser, onde falhei, onde não pára nunca de doer, é isso o que tu queres ver, o que queres ter perto de ti, queres aceitar e cuidar, só isso, e o resto, só se vier com isso, porque é isso que tu amas em mim. Será isso? Será assim? Será possível pela primeira vez? Pode ser, talvez seja disso feito o nosso amor. Pelo menos grande parte, meu querido.”
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Esta passagem é muito bonita. Feita de uma beleza simples e mostrando que o amor nem sempre precisa da beleza : )
Afixado por: Margarida em março 14, 2004 06:18 AMnunca tinha ouvido falar desse escrito. mas que lindo... ;~
*escritoR !
Afixado por: sarah em março 16, 2004 01:33 PMIsso que dizes acerca do Pedro Paixão também eu senti ao ler algumas das crónicas em "Girls in bikinis e outras crónicas para o Público" Gostei. vou ler este também. Obrigada pela sugestão.
Afixado por: Maria em março 16, 2004 01:34 PM
